sábado, 25 de dezembro de 2010

Foi no natal de 2005...

Dia 25 de Dezembro. Comemoramos dois eventos importantes no Steve Irwin hoje. O natal, e o aniversário de 5 anos do nosso primeiro confronto com o Nishin Maru, o navio fábrica dos baleeiros.
Foi “atração ” à primeira vista... desde então todas as festas de fim de ano dos voluntários da Sea Shepherd são compromisso certo com os baleeiros.
Parece que foi ontem, me lembro dos mínimos detalhes. A nebulosidade, a tempestade, a silhueta dos navios do Greenpeace parados e, de repente, o gigantesco açougue flutuante chamado Nishin Maru. Foi só o nosso naviozinho preto todo enferrujado surgir do meio da neblina que a coisa começou a agitar.
O Capitão Paul Watson mudou o curso em direção ao Nishin Maru, pegando as ondas de 8 a 10 metros de lado e fazendo o Farley Mowat inclinar 50 graus. Eu e o fotógrafo Paul Taggart estávamos no deck sobre a ponte de comando. Fomos pegos de surpresa pela manobra e fomos quase arremessados para fora do barco. Eu consegui me agarrar no mastro do navio, e o Paul Taggard se jogou no chão e escorregou até felizmente travar as pernas na grade de proteção.
Os japoneses, que estavam parados, começara a fugir. Passaram à nossa frente e, quando parecia que eles iriam desaparecer na neblina, resolveram parar e nos esperar. De certo ficaram com vergonha da covardia que demonstraram ao fugir do nosso pequeno barco.
Não demorou muito e ficamos lado a lado com o imenso navio fábrica. A cena era impressionante para todos nós que, na época, não fazíamos a mínima idéia do que poderia acontecer. A proa do Nishim Maru escalava as ondas gigantes, saia completamente da água e caia imergindo todo o casco até quase atingir o nível do convés. Eram impressionante. O navio baleeiro então entrou em rota de colisão com nosso barco. O Capitão Paul Watson manteve o curso. Era Davi contra Golias: o Nishin Maru, com 8000 toneladas, contra o Farley Mowat, com 600 toneladas, em rota de colisão.
Eles chegaram muito perto. A muralha preta que é o casco do Nishim Maru encobria a nossa visão, e a proa saltando sobre os vagalhões parecia cada vez mais ameaçadora. Porém, não foi ameaçadora o suficiente para nos fazer recuar. Quando viram que não estávamos intimidados com a manobra, eles fugiram como covardes que são, e desapareceram na tempestade.
Naquele ano de 2005 passamos 20 dias na cola dos baleeiros japoneses, o que foi suficiente para diminuir a cota deles em 86 baleias.
Foi nossa primeira vitória contra os baleeiros, que começou em um dia de natal cheio de adrenalina, há exatamente cinco anos atrás.

2 comentários:

  1. Feliz Ano Novo amigo.
    Desejo a vocês sucesso , mais uma vez, nessa campanha.
    Gostaria de estar ai com vocês.
    Abraço

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  2. Desejo que vocês salvem muitas Baleias este ano, sei que esta é a melhor forma de iniciar um bom ano para um ativista.
    Gostei muito deste texto. Gostei do blog, lendo os relatos de vocês nos aproximamos mais do seu dia a dia no navio.
    Abs

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