sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O que leva alguém a se transformar em um ativista?

Aqui começa uma série de textos onde pretendo responder a essa pergunta, que tanto intriga amigos, familiares, conhecidos, e desconhecidos também.

De vários fatores, creio que o mais importante para desencadear a metamorfose de um pacato cidadão em um ativista é a maneira com que ele se relaciona com a informação.

O autor canadense Farley Mowat menciona no prefácio do livro Ocean Warrior, escrito pelo capitão Paul Watson, que jamais a informação foi tão acessível na história da humanidade, e que aqueles que se permitem ao luxo de se manterem alheios à realideade o fazem como escolha pessoal. Portanto, carregam a culpa pelo impacto que essa escolha tem no desenvolvimento da humanidade.

Existem três padrões principais de relacionamento com o mundo das informações que são bastante característicos. As informações podem ser filtradas, conscientemente ou não, e só aquelas que são convenientes e confortáveis acabam por fazer parte da realidade do indivíduo. As informações também podem ser armazenadas para satisfazer necessidades intelectuais, motivadas por curiosidade, vaidade, status, etc. Por último, as informações podem ser absorvidas de uma forma mais visceral e urgem uma manifestação do indivíduo.

Invejo muito as pessoas que se caracterizam pelo primeiro padrão, são os meus preferidos. O estereótipo brasileiro. Pessoas simples, precisam de pouco para serem felizes.

Os intelectuais são pessoas interessantes, sofisticadas, cheias de novidades, desafiadoras. Pessoas com quem vale a pena investir uma tarde de sábado.

Já os últimos, não se satisfazem em ser meros espectadores da história, e são incapazes de reagir com neutralidade ao conhecimento que detêm. Com a mesma intensidade que admiram as belezas do mundo e as virtudes da humanidade, combatem a destruição e as injustiças denunciadas diariamente nas páginas dos jornais. São apaixonados pela vida, pelo mundo, pelos outros. Esses são os ativistas.

3 comentários:

  1. Bela reflexão. Acho que para se tornar um ativista, não só o modo de processar a informação é crucial, mas também como o ativista se dispõe em buscar as mudanças. Admiro a valentia e a sensibilidade, a paixão e a dedicação, a persistência e a integridade de cada um que quer fazer a diferença. Dedico, em especial, essa admiração a quem escreveu essa reflexão. Terás sempre o meu apoio. TA.

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  2. MUITO BEM COLOCADO !
    O ativista nao espera que "alguém" faça alguma coisa, ele se sente responsável e agente da transformaçao. Por mais dificil e improvável que pareça ele nao desiste nunca e tem visão de longo prazo.
    Parabéns a quem escreveu texto, e meu abraço.
    Daniel Zanetti de Almeida (Porto Alegre - Brasil)

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  3. Gunter, publiquei este (belo)texto em meu blog. Com os créditos e link, é óbvio. Sigo acompanhando e divulgando, já que não posso estar por aí. Abraços

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