domingo, 23 de janeiro de 2011

Paciência...




Por algum motivo os baleeiros resolveram entrar em uma tempestade cujo tamanho é maior que a Austrália. Talvez por ingenuidade, achando que nós iriamos deixar de segui-los. Na verdade, pelo menos metade da tripulação aguardava com ansiedade o momento de encarar as famosas tormentas dos mares-do-sul.

Eu particularmente acho as tempestades fascinantes. Adoro ver a proa do navio escalar as montanhas de água e, de repente, despencar em queda livre até encontrar resistência novamente e espirrar um leque gigante de água para todos os lados. Uma montanha-russa natural. As ondas de doze metros, os ventos de 120 km/h, as nuvens tempestuosas. Tudo muito excitante...pelo menos nos primeiros dias. Depois de algumas noites mal dormidas com navio trepidando e chacoalhando para todos os lados, confesso que a tempestade acaba perdendo um pouco a sua atratividade.

A rotina do navio também acabou se tornando bastante cansativa desde que entramos nessa área de tempestades. Por mais que a nossa mera presença esteja fazendo o navio tanque e dois arpoadores se afastarem cada vez mais do Santuário de Baleias da Antártida, o fato de a tripulação estar praticamente confinada dentro do navio acaba sendo um teste para a sanidade mental de cada um de nós.

A comida também acaba sendo um fator limitante, depois de 30 dias em alto mar é pouca a variedade de alimentos frescos. Eu, por exemplo, daria um braço por uma manga fresca...

Aqui na Antártida o tempo que tende a fluir mais lentamente a cada dia. A paciência e a estabilidade estão sendo fundamentais nesse momento da campanha contra a caça às baleias na Antártida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário